25/12/2019

Toda trajetória é uma incógnita


Às vezes, acontecem coisas inesperadas nas nossas vidas que são apenas pontes que foram criadas para algo melhor que nos aguarda. O inesperado é travessia. É a forma que a vida encontrou de fazer com que cheguemos a determinado ponto. Nem todas as mudanças abruptas são boas, mas continuam sendo pontes. E nós precisamos passar por elas. Atalhos não nos servem. Mesmo que cheguemos ao mesmo local, ele não será, de fato, o mesmo, caso não passemos pelas pontes que deveríamos ter pisado. Porque nós não seremos os mesmos. O local muda na medida da nossa própria mudança. Os resultados, embora expostos sejam, são bem mais internos. A diferença está no íntimo, sobretudo. A exibição do que ocupamos no fim da ponte é mera consequência. 

Há situações em que pouco importa como você chegou, contanto que simplesmente chegue. Entretanto, há um montante de outras em que o percurso é imprescindível. Não colocamos os pés na linha de chegada sem sabermos o real motivo de ali estarmos, embora tão contraditório seja dizer que arriscamos o andar na saída sem sequer termos ciência de para onde estamos indo. A ponte brinca conosco. O início é um mistério tão grande quanto o que nos espera à frente. Viver é saber que a cada momento uma nova ponte nos aguarda. Toda trajetória é uma incógnita. 

O conhecimento é basilar para se manter ali. Não é um caminho tabelado. Se a sua paira com resquícios de dor e abdicação, não é necessário que a minha também assim seja. E vice-e-versa. A trilha é distinta. E a quem recorremos se julgarmos as benesses injustas? Volte uma casa, esse foi seu primeiro erro. A ponte é uma espécie de processo de desenvolvimento nos propiciando o fervor de não sermos apenas mais um, ainda que lutemos contra inimigos diferentes. Você a constrói para poder andar. A cada um é dado materiais de obras diferentes. Pouco importa. Aqui não é o concreto que dá o alicerce. 

Quando falo de pontes, refiro-me muito mais à importância de passar por ela do que ao fato que nos espera do outro lado. É que o fato muda a depender do que nos tornamos e passamos para chegar lá. E assim vai. Reinicie.

Devaneios de 23/01/2014, às 22:35 (adaptado em 2019).

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Advogada, escritora, resenhista crítica literária, embaixadora da Editora Hábito, perfeccionista, metade anáfora, metade metáfora e uma romântica nata.

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