15/09/2019

Determino o meu próprio trânsito em julgado.


*imagem de domínio público*


E de que adianta que eu tenha sido tantas coisas, se eu nunca fui, na verdade, o seu amor. 
amor. amor. amor.
Assim, na verdade da palavra.

á.
ême.
ó.
érre.

Só não erre. Ou se erre de mim. Mas não comigo. Não mais comigo. É que na nossa língua é mais forte. Soa real. Cru. E você não pode carregar nas costas o peso de uma mentira, e eu não quero carregar uma ilusão. Temos um acordo. 

Por qual motivo acharei ruim não tê-los comigo do mesmo lado desse tribunal, se eu que os coloquei no polo passivo? E, de repente, passei para o plural por saber que tua resposta estava tão vinculada à todas as outras. Dos outros. O fardo do chorume alheio que pesa em teus ombros não parece causar-te mal algum. Batam palmas. Acho elegante. Minto. Isso é tão bestial.

Dispenso testemunha. Quem melhor do que eu para contar meus próprios fatos? Não preciso de afirmação alheia. Olham-me de esguelha com desconfiança. Isso me irrita. Levo o drink aos lábios, poupando-me o rebaixamento de sibilar aquilo que são. Otários.

Ah, amor. Me diz, por quê? Paro minha fala. De escanteio, observo o relator dedilhar por sobre a mesa, com a curvatura dos lábios levantada, parecendo ser outro a também achar alguma graça. Em qual página o sentimento havia sido hostilizado e se tornado motivo de gozação? Eu poderia jurar que ele estava há horas escrevendo a mesma palavra. Acho que ele está digitando amor. Suspeito que o homem em pé, perto da primeira fileira, mandou preparar um outdoor para anunciá-la do lado de fora. Essa cena não estava na pauta. Retiro um papelzinho de confete que se entrelaça nos fios de meu cabelo e não posso voltar a crer. á. ême. ó. érre. 

Você diz que foge do amor por medo, eu fujo de homens covardes.

Ignoro as vozes que se levantam em sua defesa. A esperança senta-se desajeitada em cima da bancada, e me olha questionadora. Vejo receio em sua vontade de cantarolar: amor, amor, amor. Shiu, fique quieta. Quando penso que não, parece uma torcida. A desconfiança toca no meu ombro e a olha com deboche. Não posso julgá-la, eu pensei o mesmo. A felicidade estava sentada cabisbaixa, encostada no púlpito, sem conseguir fazer jus ao próprio nome. Deu de ombros, parecendo que também se entregava. ''Vocês esqueceram como se faz para me trazer'', fez com desdém, ao tempo em que ajeitava os óculos, irresignada. A felicidade sabia se impor, eu a admirava. Respirei fundo quando senti os olhos marejarem. Agora não. Por favor, não. Definitivamente não. Era a saudade me abraçando de frente. Tinha que ser assim tão forte? Suas mãos estavam ao meu redor e bastaram míseros segundos para eu me sentir tomada. ''Voltei'', sussurrou no meu ouvido. E em algum momento tinha ido embora? Ora, que ousadia!

No cantinho da parede, avisto o medo colocando a cabeça pra fora da cortina, espiando-me, querendo me fazer acreditar na sua desculpa de autodefesa. Me olha fixamente e eu não posso evitar lembrar das vezes que ele simplesmente se foi em tantos outros momentos. Pois bem, engraçado seu posicionamento só depois que a sentença foi prolatada. Não resta mais prazo para recorrer. Me sinto na liberdade de retirar seu direito de defesa. Dei-te há tanto. Determino o meu próprio trânsito em julgado. E-xe-cu-te.

Bocejo cansada, sem poder evitar o chacoalhar de mãos para fazê-los calar a boca. A determinação pegou-me pelos braços, aguentando junto a sobrecarga da saudade, e eu me permiti deitar a cabeça em seu ombro. Alívio. Sinto-me acolhida. O amor nos acompanhou e eu desejei um pouco de disposição para condecorá-lo. Nem precisei chamá-lo.

O orgulho fica indeciso, até resolver partir-se em dois, seguindo um pouco de si para ambos os lados. O chão fez barulho. Ele está saltitante. Tolinho. A vitória não foi sua. Não precisei abrir os olhos para ver quem chegava pedindo minutos para sustentação oral. Mas, olha só, o mantenedor das aparências. Eu não gastaria minha audição com isso. Deixei-me ser levada dali.

Non, non, monsieur. Non, non.
01/04/2019

Não serei escrava das tuas dúvidas

imagem: fonte

Não se preocupe que eu não vou mais insistir. Se acha que te perturba todos os meus questionamentos e preocupações, sinta-se aliviado de agora. Não vou procurar saber onde estava e o que fazia. Seu celular não mais apitará com as minhas mensagens. Não terá minhas perguntas sobre como foi sua noite de sono. Eu realmente tinha interesse na sua programação da tarde. Faça uma refeição saudável. Se acha que te perturba todos os meus questionamentos e preocupações, sinta-se aliviado de agora.

Eu não consigo ser só depois. Eu sou tão aqui e agora. Amanhã é a incerteza do que está por vir. O que é que estaria? Não sou adepta a simplesmente sentar e esperar. Não sou como um viajante perdido que espera no meio do deserto sem expectativa, sem prazo. Não vou aguardar a poeira baixar e buscar condições mais adequadas para a situação. Eu ajo ali mesmo no meio do fogo e das cinzas. E se eu te disser que não espero? Pois somos nós aqueles com o poder nas mãos para fazer a circunstância cabível. Você diz que tanto quer, mas não pode. 

A verdade é que você sempre foi um doce falador. E eu enjoei de açúcar.

Querer e agir. Dois âmbitos diferentes que se misturam numa relação difundida de polos completamente distintos. Observe. Difundidos em polos distintos. E o que seria isso? Talvez você diga que não entende, mas a realidade é que você é o maior entendedor de uma tese na qual foi o criador. Falácia que é sua sombra e te persegue de modo inebriante de uma causa introspectiva na qual eu posso muito bem te chacoalhar e te fazer entender que eu não caio mais nas armadilhas das suas palavras. Mas tanto já cai. E foi ali, quase no chão, num horizontal de dor nas costas, me curvei e pude reparar melhor. Você. Eu. Eles. A vida. A situação por cima, mesmo estando por baixo. E foi nesse momento que subi e vi que ali não daria mais para ficar.

Eu não serei escrava das tuas dúvidas. E você diz para eu poupá-lo de cobranças. Não cobrarei. E me vou. E sigo em frente como quem nunca passou tanto tempo estagnada naquele local. E te olho sabendo que você vai ser sempre sinal vermelho, enquanto eu sei o meu tempo certo de mudar as cores. Agora sou verde. E permaneço andando cada vez num ritmo mais acelerado. E quanto mais ando, mais não quero voltar. Nem sinto falta. Nem me lamento pelo tempo que ali anteriormente depositei. E eu também espero que você não se arrependa. É tudo um aprendizado para quem sabe extrair algum tipo de conhecimento. E depois me poupe você quando mudar de ideia. Eu sei que vai.
03/01/2019

Resenha: Devaneio


Título: Devaneios
Autor(a): Bárbara Ricch
Número de páginas: 402
Sinopse: Um renomado jornalista investigativo, premiado internacionalmente, e no auge de sua carreira profissional, não pensava em relacionamentos sérios, apenas em curtir tudo que a vida de solteiro, bonito e rico lhe proporcionava. Após um acidente que o deixa perdido em uma ilha deserta, Miguel conhece Mariana, uma misteriosa mulher que lhe desperta sentimentos e emoções desconhecidas. Ela o fascina imediatamente, e os dois se entregam ao sentimento de paixão que os arrebata, protagonizando noites quentes e inesquecíveis em uma ilha deserta. Miguel é resgatado, e todas as evidências da existência de Mariana, desaparecem com ela. Ele tem certeza do que viveu, mesmo tudo e todos indo contra suas lembranças. Certo do que viveu na ilha, o jornalista iniciará a investigação mais importante de sua vida, em busca da sua amada. Mas, será mesmo que Mariana existe ou tudo não passou de um Devaneio?
''Minha mãe, sabiamente me batizou como Miguel, porque sabia exatamente quem eu seria no futuro. É, leitoras, esse sou eu, aquele que não é Deus, mas é tão perfeito como se fosse o próprio criador, aquele que sempre sabe o momento exato de agir e tomar sempre as decisões mais acertadas, muito prazer, sou Miguel Novaes!''


Amores, já vi muito personagem egocêntrico, mas Miguel Novaes, sem dúvidas, conseguiu um lugar alto na lista. Fiquei chocada quando dei início a leitura, porque, para mim, realmente foi uma completa surpresa. Dizer que o personagem é um homem altamente metido é o mínimo. Acho que não conseguiria descrever o quanto ele se acha, se bem que esse quote que deixei aí em cima dá para ter uma leve impressão, não é?

Miguel Novaes é um jornalista investigativo altamente renomado, sempre desvendando casos complicadíssimos que o deu a devida fama. No campo profissional, sua vida segue sem grandes problemas e no campo amoroso ele também não tem nenhuma queixa a fazer. Sexo é tudo que importa pra ele e isso ele tem. Contudo, antes mesmo de adentrar na história, sinto necessidade de explanar um pouco mais acerca da personalidade do referido personagem.


O jornalista é um homem nada modesto. Tudo bem, ele não tem que ser, cada um tem ciência do seu valor. Ocorre que, a questão não é ser modesto, ele simplesmente possui um olhar de superioridade. Em suas falas, podemos sentir que ele descreve os acontecimentos como quem olha por cima, achando que todas as outras pessoas não se encontram no seu nível. Nada agradável, eu sei.


Ainda frisando esse ponto, é possível notar uma certa infantilidade no tocante às descrições que faz, seja de si, seja de acontecimentos próximos. Ele não falava por maldade. Chega até a ser engraçado, na verdade. Por outro lado, me choca uma pessoa ficar repetindo o quanto é gostoso e que todas as mulheres que passaram em sua vida não têm do que reclamar, pois já foram agraciadas, leiam bem, agraciadas, por terem tido a honra de conhecê-lo. Chega a ser cômico mesmo.

''Óbvio que também terão momentos de muito aprendizado, isso mesmo, como homem cafajeste que sou, darei algumas lições valorozas, tomem nota, leitoras.''

Como eu disse anteriormente, ele não é uma pessoa ruim, mas precisa sim abaixar um pouco a bola e colocar os pezinhos no chão.


''Desculpe as leitoras que já me amam até agora, mas meu coração não tem rumo e minha razão o acompanha, então não morram de amores por mim. Pensando bem, podem me amar sim, que eu gosto da mulherada me desejando.''

Meu querido, a última coisa que eu estaria agora seria morrendo de amores por você. Baixa um pouco a bola, Miguel. Vou logo começar a falar logo do desenvolvimento do enredo, porque senão acabo fazendo essa resenha inteira apenas falando do egocentrismo do personagem. 


Um acidente o deixou perdido numa ilha deserta e lá é onde ele conhece a Mariana, que rapidamente chamou a sua atenção. Ah, a leitura não é ele se referindo aos leitores o tempo inteiro, como nos quotes que mostrei acima, isso acontece apenas em alguns momentos e eu resolvi colocar. Pois bem, como eu ia dizendo, devido a esse acidente, Mariana entrou inesperadamente na sua vida e depois de um tempo curto ambos se envolveram.


Nem numa ilha deserta os mistérios deixam a vida de Miguel. Como ele foi parar ali é algo que não se recorda. Quem seria Mariana é uma verdadeira incógnita, uma vez que a mulher não revela praticamente nada da sua vida. Qual a razão disso? Então, quando num dia acorda e não mais se depara com ela, mas sim com um regaste, é exatamente ali que ele vai começar a maior investigação da sua vida. Mariana sumiu. Não há resquícios dela em nenhuma parte e todas as lembranças que ficaram estão apenas em sua cabeça. E em seu coração. Pois é, adentrou o lugar que ele dizia ser inacessível.


Acontece que esse sentimento repentino de Miguel não me convenceu. Não é que as pessoas não possam mudar seus conceitos, mas me pareceu tudo muito rápido. Ele mudou radicalmente certos pensamentos que tinha por causa da Mariana.


''Se tem algo que odeio é escândalo, ainda mais quando sou o centro das atenções. E quando envolve o sexo frágil, aí fode tudo! Nessas horas, de frágeis, elas não têm nada. Mulher com raiva é foda, mas foda ao cubo é a ex irada.''

E os mistérios não deixam de rondar a vida de Miguel. A questão não passou a ser apenas encontrar Mariana, mas sim, todo os problemas que a envolviam e a fizeram agir da forma que agiu. É uma personagem com um passado turbulento e o destino os uniu porque ambos precisavam do outro.

O jornalista investigativo vai mostrar que os títulos que recebeu não foram à toa, revelando os segredos por trás das menores brechas, nem que para isso tivesse que correr riscos. Sim, há perigo ali. Devaneio é um romance envolvido com o suspense da investigação - e essa investigação não é apenas a procura por aquela mulher. Traz revelações que realmente pegam o leitor de surpresa. Também não posso deixar de falar que ele é bem protetor e se tornou uma pessoa bem melhor. O amor faz milagres. Conheciam?
29/12/2018

Resenha: A esposa do rei


Título: A esposa do rei
Autor(a): M. Okuno
Número de páginas: 314
Sinopse: Ela não queria nem um príncipe, muito menos um Rei. Mas por ironia do destino, ou pela Lei de Murphy, um soberano, para lá de irresistível, cruzará o seu caminho. Já imaginou ser levado por um buraco de minhoca para outro planeta? Pois é. Everlin também não. No entanto, após um grave acidente de avião, o que era para ser o fim de sua história, se transformou no início de uma grande aventura. Em outro planeta, Everlin se tornará “A Esposa do Rei” e descobrirá que a Terra e este estranho mundo estão mais conectados do que imaginava. E que a disputa pela ponte “Einsten-Rosen” poderá significar o fim dos dois mundos. Durante essa jornada inesquecível, descobrirá um mundo maravilhoso, pelo qual dará tudo de si para proteger e entenderá que, mesmo constantemente se afastando do amor, o amor jamais se afastará dela. Apaixone-se por essa história de amor que transcende o tempo e o espaço.
 
''Sonhei com você assim essa noite e queria ver como ficava de verdade.''

Vejamos como eu poderia começar falando acerca da obra ''A esposa do rei''. Sabe aquele livro que você termina a leitura com um sorriso no rosto? Surpreendeu todas as minhas expectativas. Finalizei com uma satisfação e isso foi algo tão bom pois eu senti que estava precisando disso. Há tempos eu não lia algo que me deixava tão contente.

Sem dúvidas, o livro é muito mais que essa capa maravilhosa que vocês estão vendo aí. Na realidade, se eu for mencionar a questão de capa depois de ter lido todo o conteúdo da obra, eu posso afirmar, sem nenhum resquício de dúvida, que, apenas por ela, você não vai ter noção de um terço da história. Não vai. Porque é muito, muito mais do que realmente deixa transparecer. Vocês precisam ter noção da profundidade de ''A esposa do rei''.

Até eu me vi surpresa quando terminei a leitura com aquela animação. Li em algumas horas nessa manhã e devo confessar que as últimas páginas foram passadas vagarosamente pois eu não queria finalizá-lo. Você se apega aos personagens facilmente. A autora soube trabalhar muito bem na construção do enredo, tendo em vista o fato de não ser, em momento algum, uma leitura enfadonha. Pelo contrário, cada parágrafo te faz ansiar por mais.

Em um grave acidente que mudou a sua vida, Everlin acabou parando em um outro mundo e situações inesperadas a fizeram se tornar a esposa do rei. Uma das, na verdade, mas explicarei isso mais à frente. Quando falo de outro mundo me refiro à outro mundo mesmo. A personagem é transportada para um lugar completamente diferente da Terra e, por pouco, ela pode jurar que está quase enlouquecendo.

Um dos fatores mais interessantes é que o leitor realmente consegue se conectar com o que está lendo, a descrição dos fatos se dá com uma narrativa que não deixa a desejar no tocante aos detalhes. Assim como há pessoas boas e ruins por aqui, não é de se estranhar que também existe esse tipo de gente no ambiente em que a Everlin caiu de paraquedas.



''Naquela hora eu passei a acreditar que cada indivíduo no Universo tem mesmo o seu ''carma'', mesmo que a vida passe e você, por algum toque do destino, acabe não esbarrando nele. E eu, com os devidos créditos ao Murphy mais uma vez, tinha encontrado o meu. O desafio consistia em descobrir um jeito de me livrar dele.''

Everlin é uma personagem divertida e muito decidida. Para salvar uma amiga que anteriormente a havia salvo (já nesse novo mundo) e estava prestes a se casar, ela não pensa duas vezes em ir em seu lugar para se tornar uma das esposas do rei, como pagamento de uma dívida. Sim, em seu harém haviam exatamente setecentas e onze esposas - não contando ainda com ela, é claro.


A implicância que sentiu por ele foi imediata, pelos fatores que julgava antes mesmo de sequer conhecê-lo. O rei Sete é um homem encantador e, em alguns momentos, dá simplesmente vontade de entrar no livro e fazer com que a mocinha seja ao menos um pouco mais educada com ele. Não acho que ele sempre merecia aquele tratamento que lhe era dado. Mas, ainda assim, uma série de foras era o que recebia.


A obra não cai na monotonia, há sempre várias coisas acontecendo e tudo numa sequência linear muito bem encaixada. Everlin não desiste de tentar voltar para casa. Afinal, se entrou naquele mundo, presume-se que também consegue sair - o que a faz pensar nas diversas maneiras de pôr seus planos em prática.



''Dar adeus à vida é algo extremamente doloroso, quando se tem algum tempo par se conscientizar da iminência da morte.''

Outro fato importante se dá que, durante a leitura, há algo em específico que fazemos uma certa ideia, mas, ainda assim, mesmo tendo conhecimento disso, continuamos ansiando pelo momento e ele continua sendo uma completa surpresa. Entenderam? Você tem ideia de qual é o segredo, mas não sabe como ele será revelado. Continua sendo uma novidade, em todo caso. 


Um dos livros mais legais que li ultimamente. Estava sentindo falta de ler algo assim. Você ri, torce por eles e não tem como evitar não se apaixonar pelo Sete. Não o julguem pelo que parece ser, há sempre um motivo relevante por trás e ele é um amor de pessoa. Eu amei esse personagem. Quero um desses, como faz?

A autora está de parabéns pela obra. Mesmo. Você termina o livro querendo muito mais. A leitura é prazerosa, flui rapidamente e tem aquela fofura que dá vontade de você sair indicando para todo mundo. Preciso já de uma continuação. 
27/12/2018

Resenha: A flor cor de rosa


Título: A flor cor de rosa
Autor(a): Ana Souza
Número de páginas: 200
Sinopse: A belíssima e obstinada advogada Clarisse Marins, foi convidada para recepção do famoso Maximiliano Menegathy, que chegou ao Brasil depois de sua temporada de estudos no exterior. A curiosidade que move ambos, se torna uma arrebatadora e intensa paixão, movida por suas semelhanças e aguçada por suas diferenças. A liberdade de Clarisse... A possessividade de Max... 

Batalhadora, decidida e intensa, Clarisse se vê assombrada pelos seus demônios do passado e sente seu relacionamento ameaçado, quando chega a hora de revelar toda sua verdade.
 
''As pessoas são assim, doutora, sempre arranjam alguém para colocar a sua culpa, quando não pode suportá-la.''

Quando iniciei a leitura de ''A flor cor de rosa'' não fazia ideia das surpresas que me aguardavam. O livro faz parte da série ''As flores da Índia'', que tem sua continuação prevista para ser publicada no final de janeiro de 2019, está bem pertinho. 

Logo a princípio, somos apresentados à Clarisse Marins, uma advogada independente que parece ter sua mente completamente focada no trabalho. Sua vida cruza com a do Maximiliano numa festa que fora feita unicamente para sua recepção, uma vez que ele havia passado um período de tempo fora e agora encontrava-se retornando para integrar a equipe do escritório de advocacia da família Meneghaty.

O primeiro contato entre os personagens nota-se claramente que a atração que Max sentiu foi instantânea, pois sua curiosidade e atenção ficaram compenetradas naquela mulher que havia conquistado o respeito e carinho da sua família. Alguns momentos me deparei com descrições e diálogos um tanto clichês, mas nada que prejudique a leitura.


Conforme dito anteriormente, o interesse do recém-chegado é imediato e visível, desse modo, sabendo das investidas do irmão, Mike tenta alertá-la de que Maximiliano não era o homem ideal para ela, tendo em vista não só seu histórico, mas por saber realmente quem ele era. Eis a questão: Mike falava a verdade ou isso era apenas para afastá-los por ciúmes, por também ter caído nos encantos da moça e não aceitar perdê-la para seu irmão que mal chegou? É algo que só saberão lendo.



''- Se a pessoa não está ao seu lado, é porque ela não vale a pena, não se pode mandar no sentimento alheio, Max, se a pessoa não quer, está no direito dela.''

A autora tem uma escrita bem leve, é uma leitura fácil e rápida. As cenas de sexo estão mais detalhistas do que costumamos ver em obras nacionais, e isso, pelo menos para mim, não é problema, mas sei que muita gente acaba se incomodando quando os livros são descritivos nesse contexto. Se for para você, apenas passe a página.


- O que significa esse olhar, Max?
- Significa que eu quero você, muitas vezes, Clarisse.

O livro é dotado de momentos inesperados. Pontos que julgo importantes de serem ressaltados: A atitude da personagem de ter que sair contando aos amigos tudo o que aconteceu ou deixou de acontecer entre ela e Max não é algo que me agrade. Senti em sua fala como se isso fosse uma obrigatoriedade e achei um tanto infantil. Contudo, em momento algum o livro foca nessa construção, foi apenas uma pequena passagem que me chamou atenção.

Ademais, Maximiliano revela-se um homem possessivo e extremamente machista. Sim. Muito machista. Lia certos comentários feitos pelo personagem e não acreditava naquilo. Muito bom a autora ter frisado determinados comportamentos abusivos, pois é um tema que serve de alerta para quem está lendo esta obra. 

''É por isso que eles a chamam de Papoula, não é? Porque você é linda e perfeita, mas se chegar perto demais a gente vicia, igual à droga que é extraída da flor, e você rouba tudo, o sono, a alegria, a paz, é por isso, não é, doutora?''

Em vários momentos senti bastante a falta da vírgula antes do vocativo, nos quotes acima, por exemplo, coloquei. Isso é algo que merece cuidado, pois a falta de uma pode acabar mudando por completo o contexto de uma situação. 

É um livro que, embora talvez não aparente tanto, te faz refletir bastante. Sobre a vida, sobre os comportamentos não só que você tem, mas também sobre aqueles que você permite que as pessoas à sua volta tenham com você. Quais atitudes você suporta? Te faz pensar sobre as escolhas que você tem que fazer para a sua vida, onde você deve equilibrar e ter ciência daquilo que é mais importante. Realmente valeria a pena abdicar de certas coisas em função de outras? E como é crucial termos ao nosso lado pessoas que, de fato, se importem conosco. Gente que podemos contar seja qual for a situação. 

O final nos pega com um baque. Literalmente. Só posso dizer que a continuação é necessária. 

Annielly Cavalcante. Advogada, escritora, perfeccionista, metade anáfora, metade metáfora e uma romântica nata.

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