20/12/2018

Resenha: Doce amargo II


Título: Doce Amargo - Livro II
Autor(a): Evelyn Santana
Número de páginas: 508
Sinopse: Para Melinda Blackwell, descobrir que seu casamento era apenas uma farsa foi a coisa mais dolorosa que poderia ter lhe acontecido. Os beijos que ela tanto amava, os toques que a enlouqueciam… nada disso era real. Ela não teve escolha, a não ser pedir o divórcio. Agora precisava seguir em frente, dando tudo de si para que a dor que Robert lhe causara não a transformasse numa pessoa irreconhecível. Enquanto Linda batalha para reconstruir sua vida, Robert se dá conta de quão errada a vida dele parece sem a esposa ao seu lado. Sozinho na mansão Blackwell, sem nunca ter alguém com quem dividir um momento importante, ele é frequentemente transportado para os dias leves e felizes que Linda costumava lhe oferecer. Em meio a tantos desencontros e desilusões… haverá espaço para o amor?

''Uma mulher que se entrega de corpo e alma para um homem como Linda se entregou a ele... Não. Ela não tinha esquecido. Nenhum dos dois jamais esqueceria. E talvez por isso doesse tanto.''


Por muito tempo eu adiei essa resenha. Ocorre que, falar sobre uma obra da Eve ao mesmo tempo em que flui naturalmente é também algo muito difícil, pois traz consigo um elevado grau de responsabilidade. Ela é uma autora que sempre trouxe tudo muito milimetricamente calculado. Você passa os capítulos de sua obra e não encontra um ponto que tenha sido desnecessário de ser colocado. Ele está ali. Ele faz diferença por estar. Isso é muito importante na construção de um enredo porque uns dos pontos mais chatos numa leitura se dá no tocante a existência de detalhes exacerbados apenas para preencher as páginas. Isso não é agradável.

Quando Melinda descobre que seu casamento fora fruto de uma farsa sua vida gira de cabeça pra baixo. Qual a razão de ser justamente ela? Algo que viveu com Robert realmente havia sido real ou isso também fazia parte de uma espécie de contrato? Dúvidas permeavam a sua mente e a dor que tomou conta da Sra. Blackwell era capaz de destruir os sentimentos mais puros que um dia ela trouxe dentro de si.


Melinda é uma personagem mais forte do que imagina. Passar por toda aquela situação e ainda conseguir manter-se firme foi algo admirável. A forma como ela lida com seu sofrimento nos convence. Isso não fazia dela uma pessoa fria. Fazia dela uma mulher inteligente. Seus pensamentos deixam claro que a última coisa que ela iria querer que alguém sentisse de si era pena, e esse pensamento é um dos traços mais marcantes da personagem. A dor a tornou uma pessoa mais forte. Sua visão poderia estar embaçada com o impacto de tudo, mas ela resolveu fazer algo a respeito. A decisão de buscar fazer algo por si e a sobriedade de saber que a sua vida não deveria parar por causa daquele término é excelente. Melinda nunca que iria sustentar uma farsa para manter um status de relacionamento que não mais existia. Acabou? Acabou. Ela não iria manter as aparências. E isso é ótimo, pois algumas pessoas esquecem o conceito de fim. Não dá para seguir em frente com esse peso do passado.


''Ela se prometeu uma vida nova e, para isso, precisava de atitudes novas. Não dava para agir do mesmo modo de antes e esperar resultados diferentes, ela bem sabia, por isso estava fazendo sua parte.''

Lembro do tempo em que ficávamos conversando acerca de DA (anos atrás), e, embora todas as circunstâncias apontassem contra o Robert, eu sempre ousava em defendê-lo - buscando algo de bom dentro dele. Eve, você deve estar se perguntando, eu ainda faria isso agora? 

Parte de mim poderia frisar a quantidade absurda de erros cometidos por ele, mas acredito que esse tenha sido um dos toques diferenciais de Doce Amargo. Os personagens são reais. É a verdade crua. É a descrição exata. Não é nada abafado ou amenizado para que tudo fique fofinho. São dois personagens maduros, que erram (o Robert, principalmente, é óbvio), mas que buscam aprender algo com isso. Várias atitudes dele me irritaram, mas a evolução dele é gritante. E isso foi algo que ELE fez por ele. Ele buscou melhorar. Ele melhorou. É um homem decidido. Então sim, se antes eu já via algo bem, agora continuo.
''Não existe um nós. - eu o lembrei, sentindo a ferida cicatrizada começar a ser aberta. - Existe a minha vida e a sua, e não vejo como isso possa interessar o outro.''

E o livro é cheio de reviravoltas. Muitas. Várias situações nos pegam de surpresa e isso foi algo que merece destaque. Você continua torcendo pelo casal. Há muita dificuldade envolvida, drama, mas há também uma superação. Eve tem uma escrita muito madura, sempre teve. Ela escreve com propriedade e isso é ótimo, pois claramente vemos que ela adentra universos que sabe explorar. É uma leitura que instiga. 



As palavras dele eram tão sinceras, ao menos pareciam ser, que me balançaram por inteira dentro. Menos de quatro meses atrás elas teriam feito com que eu me jogasse em seus braços sem pensar em mais nada, porque minha confiança nele era resistente como uma muralha. No entanto, mesmo muralhas poderiam ruim, e ali estava eu, imóvel como uma estátua, um ser inanimado.'' 

Você pode encontrar a duologia Doce Amargo lá na Amazon. Já conheciam?


Annielly Cavalcante. Advogada, escritora, perfeccionista, metade anáfora, metade metáfora e uma romântica nata.

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