07/03/2016

Resenha: A indomável Sofia

Título: A indomável Sofia
Autor(a): Georgette Heyer
Editora: Record
Número de páginas: 406
Sinopse: Sofia Stanton-Lacy é alegre, impulsiva e de uma franqueza desconcertante, características que não combinam com o que se espera de uma mulher em sua posição na sociedade londrina do início do século XIX. Educada durante as viagens de seu pai, órfã de mãe, ela chega à casa de sua tia em Berkeley Square para derrubar as convenções e surpreender a todos com seus modos independentes e sua língua afiada. E Sophy parece ter chegado no momento certo: seus primos estão com muitos problemas. O tirânico Charles está noivo de uma jovem tão maçante quanto ele, já Cecilia está apaixonada por um poeta, e Hubert tem sérios problemas financeiros. 
A prima recém-chegada decide então ajudar a todos com sua determinação e impetuosidade, e acaba enfrentando agiotas, roubando os cavalos de seu primo e atirando de raspão em um honrado cavalheiro. Embora sejam sempre mirabolantes e arriscados, seus planos sempre dão certo e tudo parece estar sob seu controle. O que ela não espera, porém, é que seu primo Charles, que aparentemente não vê a hora de arrumar um marido para ela, de repente passa a enxergá-la com outros olhos... 
 
''- Eu lhe disse que não era de modo algum equilibrada. Venha, não vamos falar dele! Fiz um juramento solene aos céus de que não brigaria com você hoje.''
Não é de hoje que eu sou fã de romances de épocas. Romance sempre costuma me cair bem, de época então... Nem se fala. Quando um autor sabe desenvolver bem sua escrita, ligando os pontos de forma impecável e fazendo o leitor viver por completo em outro tempo, podemos exclamar com convicção que é um enredo no qual vale a pena mergulhar.

Sophy é órfã de mãe, portanto sempre fora educada pelo seu pai durante suas constantes viagens. Quando este tem que fazer uma viagem cujo destino não poderá levá-la, é a casa da sua tia o local escolhido para recepcioná-la durante algum tempo. Como já é de costume dizer, tudo acontece no momento que tem de acontecer. Assim como Sophy precisava de um lugar pra ficar, os moradores daquele casa precisavam muito mais dela do que qualquer um poderia imaginar. Interessante, não?

''- Minha querida irmã, pode ter a bondade de reservar esse dramalhão para um momento em que eu não estiver ao alcance da sua voz?''  

Diferente das outras garotas da sua época, a prima recém-chegada é destemida e sem papas na língua. Nada daquela mocinha medrosa com medo de tudo e que se cala perante qualquer situação, aqui irá estar de frente à uma personagem corajosa, altamente inteligente, com uma incrível capacidade de resolução de problemas. Por possuir a ousadia que muitos praticamente todos ali não detinham, a Srta. Stanton-Lacy tem o seu diferencial e isso obviamente não passa despercebido. 

O enredo é muito bem estruturado e gostoso de ser lido. Embora seja de época, a escrita não é aquela coisa de outro mundo, com uma linguagem rebuscada difícil de ser compreendida. Pelo contrário, tudo é passado de uma forma bem acessível e isso faz com que as páginas sejam viradas rapidamente. 

Nem todos pareciam saber lidar com o jeito inovador de Sophy e, depois de muitas reviravoltas, seu primo passa a ser atraído por aquelas atitudes nada convencionais. Os cenários, as cenas como um todo, são descritas de forma maravilhosa, dando ao leitor uma narrativa que dispensa elogios. Gente, fica fácil demais visualizar os acontecimentos.

''Eu estava praticamente parada até que me lembrei do que certa vez ouvira de um militar muito importante: ''A surpresa é a alma do ataque!'' Que circunstância mais feliz!''

Com a chegada da mocinha atrevida, a vida de Charles - e dos demais ali presentes, há de convir - nunca mais seria a mesma. A franqueza da personagem e seus movimentos impulsivos rendem momentos hilários. Nada de ficar pensando nas consequências ou se preocupando com o que iriam pensar/falar, Sophy é divertida e isso faz com que a leitura nunca se torne monótona.

Senti um pouco a falta do romance entre ambos, achei que era um fator que poderia ter sido muito mais explorado. Queria continuação, como faz? Porém, a autora compensou dando atenção aos demais personagens, sabendo desenvolver a trama distribuindo a cada um sua devida importância. Esse é outro fator que merece ênfase: muita coisa tinha de ser desenvolvida para um encaixe principal, e ela consegue desenvolver sem deixar peças soltas.

A capa é puro amor (dá pra notar o quanto foi bem caprichada). Diagramação também está ótima, não encontrei erros de ortografia. Aqueles que são apaixonados por livros desse gênero, essa é uma leitura que não pode faltar. Os que ainda não se aventuraram, podem adicionar à lista que tá na hora de dar uma chance! Já conheciam?

Annielly Cavalcante. Advogada, escritora, perfeccionista, metade anáfora, metade metáfora e uma romântica nata.

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