01/10/2016

Nesse jogo, não ganha o melhor jogador.

imagem: pinterest


Não há mais nada a perder.  É chegada a hora de colocar as cartas na mesa e terminar logo esse jogo. Chega de frustração e palavras ao vento. Não mais pistas opacas com interpretações errôneas. O sinal já está fraco pra ver quem se permite primeiro e fala de uma vez a decisão. A minha está tomada, a sua não?

Algumas coisas a gente acaba ignorando com o passar do tempo. Na primeira vez machuca tanto que você sufoca e tem a impressão de que não vai resistir. Chora, fica pra baixo, e as coisas parecem perder um pouco a razão. Estranho ver tudo sem cor, não é? Na segunda, a dor é forte, mas você lembra que já passou por isso antes e aguentou. Esse absurdo acalenta. Isso acolhe. É aquele suspiro pesado que acaba confortando. Na terceira, vamos confessar, continua machucando. É aquela pedrinha que está lá no sapato que dói, mas que você consegue continuar andando com ela. Você acabou se acostumando com aquele incômodo. É preguiça de tirar? Seja na terceira, quarta, quinta ou sexta vez. Não importa a colocação, vai continuar machucando. 

Talvez mude a intensidade, porém, meu amigo, a dorzinha vai continuar lá. Não se acostume com o que é ruim. Para de se conformar, para de empurrar com a barriga, para de achar que do nada uma mágica vai fazer tudo dar certo. Esperneia, fala alto, coloca tuas vontades pra fora e se faça ser notado. Não deu certo? Liberte-se. Dói pra tirar, contudo, tenha certeza, a dor é bem maior se deixar.

Resolvi que cansei. Chega uma hora que não adianta mais tentar segurar quando tudo já está caindo. Não adianta continuar o esforço quando não se tem em vista a probabilidade de um bom resultado. Não adianta alavancar as forças para um trabalho árduo onde o resultado não se pode conseguir sozinho. Não adianta cobrir os problemas quando eles estão gritando para serem expostos e resolvidos. Queria cair. Soltei. Abandono as cartas, levanto da mesa e desisto de jogar. Nesse jogo, não ganha o melhor jogador.

Annielly Cavalcante. 23 primaveras. Acadêmica de Direito, escritora, perfeccionista, louca por anáforas, metáfora pura e uma romântica nata.

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