12/05/2016

Resenha: Como ser solteira

Título: Como ser solteira
Autor(a): Liz Tuccillo
Editora: Record
Número de páginas: 434
Sinopse: Depois de alguns drinques e uma péssima noite com as amigas, Julie Jenson chega à conclusão de que elas estão fazendo algo errado. Por que elas sempre se desapontam com os relacionamentos e não conseguem encontrar um único homem legal? Num rompante, Julie pede demissão e pega a estrada. De Paris ao Rio passando por Sidney, Bali, Pequim, ela viaja pelo mundo para descobrir se alguém tem uma maneira melhor de lidar com a solteirice. Julie se apaixona, tem o coração partido, conhece o mundo e aprende mais do que achava possível em uma viagem.
 
Confesso que quando vi o título ''Como ser solteira'' imaginava toda aquela badalação de mulheres independentes, decididas, e que não precisam, necessariamente falando, de um homem ao seu lado para serem felizes. Então, na verdade o 'como ser solteira' poderia muito bem ser trocado por 'como estou desesperada por estar solteira'. É, essa foi a impressão que tive.

O livro, de um modo geral, é divertido. Temos a abordagem de vários assuntos do cotidiano de uma forma bem informal, a autora se utiliza de uma linguagem fácil e acessível - fato este que aproxima ainda mais o leitor. Legal, não é? Mas, por outro lado, me vi diante de um conteúdo que abordava mulheres desesperadas acerca de seus falhos relacionamentos. Desesperadas ainda foi um modo gentil de se referir.

Julie Jenson e suas amigas estão completamente frustradas com as suas vidas amorosas, nada nunca parece dar certo e isso vai matando qualquer resquício de esperança que elas poderiam ter. Cansada de tantas decepções, Julie decide pedir demissão do seu emprego de assessora de impressa para se aventurar pelo mundo em busca de respostas. Isso mesmo que você leu, a personagem resolve largar tudo para andar pelos quatro cantos desse mundo em razão do fenômeno da solteirice - porque obviamente devia ser muito enlouquecedor pra ela conviver com a própria companhia por algum tempo.

''Lá estava eu sentada, encarando essas quatro mulheres que eram boas em lidar com rejeição. Essas senhoritas não pareciam ser da França, elas pareciam ser de Marte.''

Cada amiga da Julie lida de uma forma diferente com o fato de estar solteira, e sim, cada uma lida de um modo pior que o outro. Obviamente é algo fantástico estar acompanhada e ter ao lado alguém cujo sentimento é recíproco, contudo, se tal situação não estiver acontecendo... Helloooo, isso não é o fim do mundo. A Alice, uma das amigas da Julie, por exemplo, abandonou o emprego para se dedicar apenas aos seus encontros. Isso me parece um tanto fútil, concordam? A mesma mentia em seus encontros a respeito da sua profissão - não revelava que era advogada, pois, de acordo com suas próprias palavras, homens não gostavam de mulher inteligentes. Patético.

A pesquisa da personagem vai ficando cada vez mais prolongada e, virando as páginas, nos deparamos com vários resultados, tais como: todo relacionamento vai ter traição, a maioria das vezes se resume à sexo e que sua vida seria um horror se você não tivesse um homem ao seu lado. Juro! As personagens passaram uma impressão completamente diferente daquela que eu nutria a princípio, elas pareciam que iam morrer por estarem solteiras e isso chegava a ser insano.

''Que nem todo mundo vai ganhar na loteria ou ter uma saúde perfeita ou se dar bem com sua família, quem nem todo mundo vai ter alguém que os ame, Talvez comecemos a pensar na vida de outra maneira, não achando tão trágico o amor ser a única coisa que você acabe não encontrando.''

Temos um montante de cenas hilárias, isso não poderia deixar de ser falado, Julie e suas amigas cometem uma loucura atrás da outra. Entretanto, a maior loucura delas mesmo é se desesperarem por razão de um par romântico que não existia, se matando atrás de um cara, e essa loucura, há de convir, não tem a mínima graça. O nome de cada capítulo é uma regra que as solteiras devem seguir e achei uma proposta bacana, assim como a capa e toda a sua diagramação. O que me espanta é que as personagens não sabiam seguir todas aquelas regras de independência que elas mesmo colocavam. Todo aquele clichê de 'é mais fácil falar do que agir'.

Pensei que no decorrer os leitores iriam dar de cara com Julie e suas amigas mudando os seus conceitos, sendo mais sãs. Porém, mais uma vez, e talvez ainda pior se duvidar, a impressão que passou foi que ficaram mais tranquilas por estarem solteiras pelo fato de não serem as únicas a estarem com esse status. Louco, não é?

Acredito que uma pessoa para ser feliz com outra, ela - antes de tudo - precisa ser feliz sozinha. Sabe aquele ditadinho de 'seja completa e procure alguém que te transborde'? É exatamente isso! E nem precisa procurar, porque no momento certo a vida dá um jeito de fazer suas linhas cruzarem. Um bom singular para ser um bom plural. Estar com alguém é ótimo, é fantástico, mas ninguém vai morrer por causa disso. Esse negócio de perder a cabeça por estar solteira não faz o mínimo sentido - diferente do que as personagens pensavam.

O livro me frustrou por fazer questão de colocar esteriótipo em tudo, e ainda mais por apresentar personagens adultas tão mal resolvidas, inseguras e que faziam suas vidas giraram ao redor de um homem, na procura de um ou até na falta dele. Parecia que a função das personagens era procurar um cara e, quando não estava com alguém, sofrer por causa disso. Não espere muita coisa da leitura, não leia com grandes expectativas.

Em todo caso, rendeu boas risadas e yeah, também quero ver a adaptação na tela. Já leu? Já viu a adaptação? Conta tudo!! 

Annielly Cavalcante. 23 primaveras. Acadêmica de Direito, escritora, perfeccionista, louca por anáforas, metáfora pura e uma romântica nata.

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